Friday, March 23, 2007

António Franco Alexandre

Já a luz se apagou do chão do mundo,
deixei de ser mortal a noite inteira;
ofensa grave a minha, que tentei
misturar-me aos duendes na floresta.
De máscara perfeita, e corpo ausente,
a todos enganei, e ninguém nunca
saberia que ainda permaneço
deste lado do tempo onde sou gente.
Não fora o gesto humano de querer-te
como quem, tendo sede, vê na água
o reflexo da mão que a oferece,
seria folha de árvore ou sério gnomo
absorto no silêncio de uma rima
onde a morte cessasse para sempre.

Duende

Enviado por Sandra Carvalho



Agonos
Gonçalo Alvarez

Ser ego do vazio por complexão do que não sou.

Errante em caminhos de só para mim.
Placebamente morrendo.
Profetizando inexistências tão cheias do nada.
E sem sentido neologo palavras para dizer o que não é dito.
Não é.
De nada vale a pena ao poeta,
a lira ao trovador,
porquanto sejamos todos a musa de um cego.

Enviados por Gonçalo Peixoto

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