Tuesday, April 03, 2007

O Sítio da Poesia abre aqui uma excepção e publica o poema da Ana Beatriz, esperando que o Rodrigo tenha acesso ao blog.

Esquecer Você

Tentei... Juro que tentei esquecer você...
Esquecer nossa estória,
Nossos momentos ...
Mas foi impossível.
Você... infiltrou – se em minha mente...
Impregnou –se em meu sangue...
Insinuou-se em minha alma...
Introduziu-se lenta e profundamente em minha vida
Como esquecer você?
Seria tentar esquecer-me de mim mesma...
Como tirar você do meu pensamento...
Se você é... o meu próprio pensamento?
Tentei lhe esquecer... Juro que tentei!
Tentei arrancar de minha pele, as marcas dos seus sentidos...
Procurei exterminar de minha alma, as últimas ilusões de
Ter você...
Arrisquei a erradicar de minha mente, seus textos... suas palavras...
Aventurei a livrar-me do feitiço que me dementava...
Tudo inútil...
Em meus ouvidos, sua voz... seu sorriso... seu ai ai...
Em minha boca, ainda o sabor da sua...
Em meus olhos, os seus... seu corpo...
Em minhas entranhas... você... todo em mim...
Como esquecer você???
Como tirar você de mim???
Como arrancar as lembranças???
Me ajude eu lhe peço...
Me ajude a esquecer VOCÊ!!!
Mas... não dá para o esquecer... E... sabe por quê?
Porque eu não desejo tirar você de minha memória!
Porque eu não quero afastar ou perder as lembranças!
Porque... se eu não posso, nem devo
Ter a esperança de Ter você...
Quero pelo menos... sofrer! sentir dor!
E cada vez mais lembrar-me
De nossa estória! De nossos momentos! de VOCÊ !!

Eu sou Ana Beatriz Anacleto e queria dedicar este poema ao Rodrigo


A Vida
Firmino Mendes

Fazer da vida um processo de gestos simples:
De manhã, subir às árvores,
esperar a chegada dos pássaros,
beber alguma água do céu, distrair os caçadores,
ouvir o vento mais alto nas copas,
colher uma flor do campo para os olhos amados.

Ao meio-dia, olhar na direcção do sol, correr no campo,
comer frutos, sementes de trigo, velar os cursos de água,
cuidar dos animais feridos.

Ao sol-poente, regar as plantas para o alimento da noite,
preparar alguma terra para as sementeiras,
podar a vinha,
fazer alguns enxertos,
preparar alporques, tocar uma pedra
para sentir a força do universo.

À noite, sentado na terra, olhar o céu,
contar, outra vez, as estrelas,
meditar sobre os milhões de anos-luz que nos religam,
chorar sobre a velocidade da luz,
cantar para as aves nocturnas, chamar os lobos
dormir para ver nos sonhos
outras possibilidades de sobrevivência.

in Um segredo guarda o mundo

Enviado por Amália Silva



Abecedário sem juízo
Luísa Ducla Soares

A é o André, a beber a água com o pé.
B é o Bruno, vai a fugir dum gatuno.
C é a Camila, com um corpinho de gorila.
D é o Daniel, come lenços de papel.
E é a Ester, que nunca usa talher.
F é o Frederico, está sentado no penico.
G é o Gonçalo, já hoje levou um estalo.
H é a Helga, picada por uma melga.
I é a Inês, a dar beijos num chinês.
J é o João, ratos dentro do pão.
L é a Luísa, vai para a rua sem camisa.
M é a Maria, que só dorme todo o dia.
N é o Norberto, que gosta de armar em esperto.
O é o Olegário, caiu dentro do aquário.
P é a Paula, tira bananas da jaula.
Q é o Quim, meteu a mão no pudim.
R é a Raquel, que se besunta com mel.
S é a Sara, com dez borbulhas na cara.
T é o Tiago, a pescar botas no lago.
U é o Urbino, que sofre do intestino.
V é a Verónica, tem uma preguicite crónica.
X é o Xavier, usa roupa de mulher.
Z é a Zulmira, que na aula dança o vira.

In Poemas da Mentira e da Verdade

Enviado por Ana Rita dos Santos Piedade

No comments: